Qual a função da Pastoral da Saúde?

“Com as numerosas curas realizadas, Jesus indicou o quanto Deus se importa com a vida corporal do homem”. (Evangelium Vitae). É seguindo os passos de Jesus Cristo que a Pastoral da Saúde descobre o seu lugar e importância na sociedade. A vida é o dom mais precioso com que Deus agraciou o ser humano. Proteger a vida é uma missão sagrada de todos.

A Pastoral da Saúde, de acordo com as diretrizes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é a ação evangelizadora de todo o povo de Deus, comprometido a defender, promover, preservar, cuidar e celebrar a vida, tornando presente na sociedade de hoje a missão libertadora de Cristo no mundo da saúde.

A razão da Pastoral da Saúde está no fato de que ela existe “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (cf. Jo 10,10). É sua missão evangelizar com renovador ardor o mundo da saúde, à luz da opção preferencial pelos pobres e enfermos, participando da construção de uma sociedade justa e solidária a serviço da vida.

A Pastoral da Saúde, numa sociedade preocupada com o ter e o poder, onde a saúde é vista como mercadoria e as pessoas adoecidas como um peso para o Estado se torna a voz sensibilizadora e denunciadora da exclusão e da marginalização do doente. Ela defende a saúde como um direito fundamental da pessoa, sem distinção de cor, raça, status ou credo. Contudo, para que a Pastoral da Saúde seja um trabalho organizado e fiel ao Evangelho da Vida, ela deve ser regida por diretrizes em consonância com a pastoral orgânica da Igreja.

Suas atividades desenvolvem junto à comunidade e à sociedade e elas são inúmeras. Vão desde a atenção aos doentes, a exemplo do “Bom Samaritano” (cf. Lc 10,30s), até a articulação junto a entidades governamentais responsáveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Pastoral da Saúde acontece com prioridade nas comunidades, conselhos de saúde, escolas, associações de bairros, sindicatos e em todos os espaços onde os cidadãos participam. O trabalho dos agentes se dá de acordo com as dimensões de atuação desta pastoral e sempre motivado pela espiritualidade da acolhida e da proteção à vida, como Jesus ensinou ao escutar, acolher e curar os enfermos.

Neste ano de 2012 a Campanha da Fraternidade destacou a saúde pública e suas variantes. Com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”, e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra” (cf. Eclo 38,8); a CF de 2012 tentou refletir o cenário da saúde no Brasil, conscientizando o Governo da precarização de condições dos hospitais e mobilizando a sociedade civil para reivindicar melhorias. Promover ampla discussão sobre a realidade da saúde no Brasil e das políticas públicas da área, para contribuir na qualificação, no fortalecimento e na consolidação do SUS, em vista da melhoria da qualidade dos serviços, do acesso e da vida da população.

Precisamos nutrir a “utopia”, ou seja, construir, em meio a este contexto social injusto e desigual, em que a doença e pobreza falam mais alto do que a saúde, um horizonte de significado, a partir do conceito evangélico de Reino de Deus.  E nossa missão como Pastoral da Saúde é vital. Ela tem que fazer diferença pela sua presença e ser “o sal e a luz”, neste contexto marcado pela escuridão de doenças e mortes evitáveis. Além de cuidar dos doentes (dimensão samaritana), empenhar-se para educar para a saúde (dimensão comunitária), deve trabalhar para mudar as estruturas políticas e sociais desiguais (dimensão político institucional).

Sensibilizada com a realidade e respondendo ao chamado de Deus, voz que ecoa nos excluídos de nossa sociedade, a Campanha da Fraternidade 2012 nos convida a fortalecer a Pastoral da Saúde onde já existe e se não tiver criar a pastoral para que, juntos, possamos lutar por direitos iguais e tornar real o Reino de Deus no meio do Povo.

Por: Pe. Márcio Henrique Mendes Fernandes (Administrador Diocesano de Campina Grande – PB) e Pe. Fabiano Cruz Ferreira (Coordenador Diocesano da Pastoral da Saúde de Campina Grande – PB).

Assessoria de Comunicação da Pastoral da Saúde NE2 (AL,PB,PE,RN)

20/08/2012

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