Entrevista

Confira a entrevista com o Professor Dr. Bruno Severo Gomes , coordenador da Palhaçoterapia do Hospital das Clínicas da UFPE, professor do Departamento de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco e Assessor Técnico-científico da Pastoral da Saúde CNBB NE 2.

O professor Bruno Gomes ou Dr. Doidinho, como é conhecido na área da Palhaçoterapia, assessorou a 1ª Oficina de Palhaçoterapia da Pastoral da Saúde, realizada no último sábado (14).

Pastoral da Saúde – O senhor é coordenador do Projeto Palhaçoterapia do Hospital das Clínicas da UFPE e tem se tornado conhecido por ter intensa atividade na área da terapia do riso. Qual a proposta do Projeto Palhaçoterapia e como ele pode ajudar o paciente?

Professor Bruno – Primeiro não precisa me chamar de senhor né? Sou um “Palhaço Jovem” hehehe. Bem, o Projeto é constituído por um grupo de palhaços ligados ao Programa MAIS: Manifestações de Arte Integradas à Saúde, atuantes de forma exclusiva no Hospital das Clínicas, dedicado a levar alegria à pacientes de todos os setores e clínicas, acompanhantes, pais e profissionais de saúde, através da arte do palhaço, nutrindo esta forma de expressão como meio de enriquecimento da experiência humana. O programa MAIS, fundamenta-se nos atuais princípios norteadores da Política de Humanização do Ministério da Saúde – Humaniza SUS – publicados em 2006 e voltados à construção de redes cooperativas, solidárias e comprometidas com a qualificação da assistência à saúde, visando desenvolver, divulgar, fortalecer e articular iniciativas humanizadoras nas instituições de saúde.

 

P.S. – (risos) Como você se interessou pela área artística e como foi que surgiu a ideia de inserir a arte na área da saúde?

 

P.B. – A presença do palhaço no hospital mostra ser possível e desejável a aproximação de dois domínios: o da arte e o da saúde. Ele cria e recria o jogo o tempo todo, com seu parceiro, com o paciente, com os dois. Utilizando a ‘Humanização Baseada em Evidências’, o projeto propõe, através de manifestações artístico-lúdicas, oferecer aos pacientes, acompanhantes, profissionais de saúde e estudantes de graduação da universidade uma série de ferramentas e experiências que o façam refletir sobre inúmeros aspectos do cuidar.

 

P.S. – Qual o resultado da Palhaçoterapia nos pacientes?

 

P.B. – Diminuição dos índices de estresse e aceitação ao tratamento em pacientes internados nas enfermarias gerais, UTIs e no preparo pré-cirúrgico;Diminuição da ansiedade nas salas de espera;Diminuição dos índices de estresse em profissionais da Área de Saúde; Outro resultado observado é que, através de atitudes humanizadoras, profissionais e alunos da Área de Saúde, promovem o estabelecimento de vínculos solidários e participação coletiva no ambiente hospitalar.

P.S. – Um dos objetivos da Pastoral da Saúde é trabalhar a humanização no tratamento ao enfermo. Uma das ações é promover oficinas como esta. Como você analisa a questão da humanização nos hospitais públicos brasileiros?

 

P.B. – O ambiente hospitalar congrega uma ampla variedade de fatores desencadeantes de estresse: os sentimentos de insegurança, angústia e medo em quem busca atendimento, a carga de responsabilidade, a sobrecarga de trabalho e as precárias condições oferecidas aos profissionais que atuam na área de saúde, tornando-se assim ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. A humanização não é um fundamento apenas teórico, ela é uma prática da prática, ou seja, só posso realizar se tenho vínculo com a mesma em todos seguimentos de vida. Assim, é urgente em nossos hospitais o encontro das 14 profissões da área de saúde e a arte em torno de uma causa nobre, a de promover a cura, o alívio e o consolo. As experiências demonstram que a arte aplicada à medicina é benéfica ao criar uma atmosfera favorável tanto na recuperação do paciente como ao próprio profissional de saúde envolvido. O ambiente hospitalar entra em processo de cura em sua totalidade.

 

P.S. – A Pastoral da Saúde está promovendo a sua primeira Oficina de Palhaçoterapia. O que você acha dessa iniciativa e qual a mensagem para os futuros Palhaçoterapeutas?

 

P.B. – Agradeço a confiança e a iniciativa da Pastoral da Saúde, da Arquidiocese e Olinda e Recife, em fazer de nossa Igreja, uma grande enfermaria. Não poderia esquecer de registrar aqui, toda a felicidade em ser tão bem recebido pela Santa Casa de Misericórdia na realização da oficina. Não vou citar nomes, pois da entrada da Santa Casa até o refeitório, passando pelas enfermarias, todo o grupo foi tão bem recebido pela equipe, que a acolhida demonstrou toda alegria que demos ter em servir. A linguagem do palhaço está chegando a vários locais, onde a mudança se faz necessária. Esperamos com a formação ainda em andamento, pois a formação do palhaço é continua, que os pacientes vejam nesses jovens palhaços, a evangelização e a acolhida de Nosso Senhor traduzida na alegria e cores do palhaço. Esperamos que os palhaços na Pastoral da saúde, atuem onde os medicamentos não apresentem efeito, a alma. Eu fiquei muito feliz com a iniciativa, pois a arte exerce um poder medicinal de desvendar a pessoa na sua totalidade – corpo e mente. A compreensão da necessidade dos cuidados com a alma dos nossos pacientes, além do tratamento dos sinais e sintomas clínicos, aumenta as possibilidades de cura.

 

P.S. – Essa foi a primeira oficina de Palhaçoterapia realizada pela Pastoral da Saúde do Regional Nordeste 2 e é um projeto pioneiro no que diz respeito a formar Palhaçoterapeutas vinculados à Igreja. Quais são os próximos passos a partir de agora?

 

P.B. – Essa foi a primeira oficina, esperamos no futuro outras, mas no momento pretendemos, consolidar o grupo participante na atuação inicialmente na Santa Casa de Misericórdia e no Hospital Maria Lucinda. Pretendemos inserir os jovens palhaços no serviço de humanização destes hospitais e torná-los multiplicadores dessa missão evangelizadora utilizando a linguagem do palhaço.

 

O desenvolvimento do projeto se fará através de visitas e intervenções artísticas, utilizando a linguagem do palhaço. Essas intervenções em geral em dupla de “palhaços doutores”, ocorrerão em locais e horários previamente selecionados, definidos a partir do consenso entre as diversas Chefias de Enfermagem e de acordo com as necessidades e especificações do espaço.As atividades serão divulgadas semanalmente através da programação encaminhada às chefias de Enfermarias, Ambulatórios, Assistência Social e Direção dos hospitais.

 

A arte de fazer rir é uma função social, desde os primórdios e passa por um processo de transformação e chegou ao ambiente hospitalar, prisões, zonas de guerra, instituições, empresas e universidades.

 

A alegria vem de estar na presença de Deus. A maior fonte de alegria é a presença de Deus na vida diária do homem. A alegria não é tão difícil quanto os pessimistas pensam Ela é provocada por coisas simples sempre relacionadas com Deus. Basta lembrar que a alegria é fruto do Espírito, consequência inevitável para quem está em Cristo e anda no Espírito.

Assessoria de Comunicação Pastoral da Saúde NE2 (AL,PB,PE,RN)

Foto: Arquivo pessoal

18/07/2012

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