Maria mãe de Jesus, a grande pedagoga da Pastoral da Saúde

Maria, uma jovem noiva de Israel com idade de 12 anos vai cumprir fielmente ao longo de toda a sua vida a vontade de Deus Pai. Um projeto de Deus a respeito da futura mãe de Jesus, que ultrapassa tudo que se pode imaginar. Maria vai conhecer longos momentos de despojamento vivendo os tempos de sofrimento e de incompreensão vivenciados junto com Jesus. Ela experimenta a caminhada da fé desde a concepção, passando pelo drama da incompreensão por parte das autoridades religiosas até a escuridão total do Calvário.

Embora ela tenha sido preparada pelo Altíssimo desde a sua mais tenra juventude, como na ocasião do primeiro milagre em Caná na Galileia, quando Jesus lhe tinha dito “Mulher, o que existe entre nós; minha hora ainda não chegou.” Em silêncio responde: “Faça o que ele mandar.” Ou em Cafarnaum quando, na sinagoga, os próprios discípulos interpelam Jesus: “tua mãe e teus irmãos estão te procurando.” E ele responde: “Quem são minha mãe, meus irmãos? São aqueles que fazem a vontade do meu Pai”. Maria não busca explicações, medita as palavras de Deus no coração; continua fiel e obediente à resposta decidida que ela deu ao anjo Gabriel. A esperança divina de fato não permite explicações. Em cada etapa da vida do seu filho, ela o acompanha plenamente disponível à obra de Deus. Acreditando, apesar do silêncio do Pai que exige dela sempre maior despojamento e uma inteligência sempre mais nua e desprendida.

Nessa ausência aparente do conforto do Pai, ela aprende com o Filho a confiança absoluta. Medita os fatos no segredo do coração. Como na ocasião da peregrinação dos pais para Jerusalém, quando seu filho aos onze anos, se atrasa no Templo em Jerusalém; e ele, surpreso, responde: “Não sabia que eu estava na casa do Meu Pai”….

Desde sua infância com sua mãe Ana e seu pai Joaquim, Maria está preparada por Deus; se deixando envolver plenamente pela Promessa do Anjo Gabriel, aquela promessa feita a Abraão que resume toda a saga do povo de Israel e alcança em Maria a sua plenitude. Quando ela canta agradecida seu Magnificat, Maria está resumindo toda a esperança da história do povo de Deus. E, portanto, ela confia plenamente na promessa feita carne no seu filho Jesus. Para ela Jesus é a promessa definitiva. Toda a trajetória de vida dela está vivida em função dessa promessa milenar e ela se entregou totalmente a ela. Espera tudo de Jesus, que é o sonho de toda a sua vida, um sonho que se confunde com a esperança de toda a humanidade.

Quando, finalmente, aos trinta anos Jesus parte para a missão, ela está lá junto com ele, escolhendo seus apóstolos. Um por um junto com seu Filho, confiando na realização das promessas. Sua felicidade está aí: acompanhar a missão de Jesus que veio realizar as promessas do Reino de Deus.

Poucos anos depois ela vai se deparar com uma nova exigência: o caminho assombroso da cruz….! O projeto de Deus preparado durante séculos parece destruído. Os escolhidos de Jesus fogem: Pedro nega apostasia; Judas trai, quase todos fogem salvo João e algumas mulheres. Agora Maria experimenta o sofrimento supremo com a crucificação do filho, as traições, os abandonos; ela assiste despojada silenciosa e sem indício qualquer de futuro. A provação é imensa. Calada, a mãe de Jesus aceita a purificação da esperança, o despojamento do calvário. Está lá fincada em silêncio ao pé da cruz na gratuidade, que passa agora pelo holocausto. Jesus morre abandonado, banido da terra santa…! O cumprimento da promessa parece aniquilado! Toda a obra está literalmente destruída num instante!!

E o silêncio de Deus Pai continua. Exige a entrega inteira de Maria ao abandono, numa esperança cada vez mais despojada. Não há mais projeto algum.

Na realidade esta ausência aparente e esse silêncio de Deus tinham e tem a ver com o sentido fundamental que representa o vínculo com a realidade misteriosa do amor exigente da Santíssima Trindade. Maria está vivendo a pobreza filial essencial que corresponde à fecundidade infinita do Pai. Como o Pai se apaga diante do Filho, o Filho se apaga diante do Pai e assim igualmente diante do Espírito. Embora sabemos que não existe pobreza em Deus,….com a entrega total de Jesus até as últimas consequências, a pobreza da condição humana de algum modo entrou no mistério da Santíssima Trindade. Não porque o Pai não sabe o que fazer. Mas porque Ele é inteira doação e entrega. E Maria nossa mãe está banhada na realidade íntima deste mistério ininteligível. Hoje ressuscitada, ela vive plenamente esse mistério que só poderemos vislumbrar um dia, no face a face com Deus na glória. Aliás, Maria tinha presenciado a própria glória do Pai no nascimento de Jesus, e em seguida, no batismo no Jordão e na transfiguração no Monte Tabor quando o Pai diz: “Esse é meu Filho bem amado.”

Como o Filho foi envolvido pelo olhar amado do Pai, simultaneamente ela também penetrou junto com seu Filho no mistério do amor do Pai. Quando Jesus chega ao momento supremo do despojamento da cruz Maria experimenta a palavra do Filho: “quando o Filho do homem será estendido no madeiro da cruz, Ele atrairá todos a Ele”. “Ela experimenta a profecia de Simeão: “Quanto a você, Maria, uma espada há de atravessar-lhe a alma. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações.” Maria está inteiramente comprometida nesse laço de amor com o Filho. Ela é o altar que oferece Jesus, o filho. Jesus sabe que pode pedir a Maria essa nova exigência de amor. Sabe que ela está totalmente entregue às coisas do Pai. Como ele aceitou a total oferta ao Pai, pede a Maria a mesma exigência para que sejam corrigidas definitivamente todas as consequências do pecado ou todas as separações do amor de Deus. Maria se prolonga no coração de Jesus pelo desprendimento total. Ela está assumindo com João a humanidade inteira e assim nos amando a todos. Não guarda absolutamente nada para ela. Tudo que Jesus deu a ela, Maria, mãe dos pobres dá para nós.

 “…No mundo não há um ser humano que tenha sido introduzido na experiência do amor trinitário do Pai, do Filho e do Espírito Santo, no mesmo grau próprio de Maria, Mãe do Verbo encarnado. Com efeito, de Maria aprendemos esta docilidade ao Espírito Santo, graças à qual podemos usufruir de maneira mais plena dos frutos da morte e da ressurreição de Cristo.” dirá o beato João Paulo Segundo.

É nesta pobreza e nesta docilidade única do coração de Maria, que podemos renascer. Deus tinha, num certo sentido, necessidade desta mediação de Maria. Precisava do seu livre consentimento, da sua obediência e dedicação, para revelar plenamente o seu eterno amor pelo homem. E vai ratificar essa mediação no dia de Pentecostes. Assim como ela estava presente no início da obra da redenção, de igual modo, ela estará presente no início da Igreja. Aquela, que, no dia da anunciação foi repleta de Espírito Santo, no dia do Pentecostes é a testemunha particular da Sua presença. Aquela, que à ação misteriosa do Espírito devia a própria maternidade, mais do que qualquer outro soube apreciar o significado da descida do Consolador. Maria, mais do que ninguém, reconheceu o instante em que teve início a vida da Igreja – daquela comunidade de homens, que inseridos em Cristo podem dirigir-se a Deus chamando-O: Abba, Pai!” (discurso do papa João Paulo II na terra natal em 1998). Oxalá nós cristãos aprendamos junto com Maria a viver como filhos amados do Pai, dóceis à Palavra do seu Filho para sermos no mundo sementes vivas do Espírito Santo.

Colaborador: Xavier Uytdenbroek

Pastoral da Saúde NE2 (AL,PB,PE,RN)

01/10/2012

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