Entrevista

Com a proposta de levar o conforto espiritual aos doentes, a pedagoga, Ligia Rebelo, 72 anos, atua há 14 anos na Pastoral da Saúde. Entre os locais já visitados por ela estão: Os Hospitais da Restauração, Hemope e atualmente o Infantil Maria Lucinda. Na entrevista que segue abaixo será mostrado um pouco da história dessa mulher que relata seu serviço social e procura cumprir a missão de cristã.

Pastoral da Saúde (PS) – Como são realizadas as visitas aos doentes no Hospital Infantil Maria Lucinda?

Ligia Rebelo (LR) – O Hospital tem uma característica própria. As Irmãs filhas de São Vicente de Paulo estão presentes desde a fundação e se mantém atuantes. Diariamente elas visitam os doentes internados nos leitos das enfermarias: adultos ou pediátricas, UTI’s Adultos ou Neo. Estão presentes juntos aos doentes da hemodiálise e iniciam agora com os doentes do Serviço de Atendimento Domiciliar com 120 leitos. No ano de 2011, voluntários da Pastoral da Saúde das paróquias de Nova Descoberta e Vasco da Gama realizaram visitas domiciliares a pacientes de suas paróquias. Eles receberam orientações com enfermeiros e psicólogos antes de iniciar as visitas.

 

PS – Como é o trabalho dedicado às crianças, através da brinquedoteca?

 

LR – A brinquedoteca surgiu desde 1999 com os objetivos de educar, ajudar crianças e mães na permanência no hospital e de evangelizar. Anualmente jovens e adolescentes do colégio Damas exercem um trabalho junto às crianças e mães numa maneira de conhecer mais a realidade.

 

PS – Qual o objetivo das visitas?  

 

LR – Levar o conforto espiritual aos doentes. Desde 2003 a Organização Mundial da Saúde incluiu no conceito de saúde a “Espiritualidade”. Profissionais de saúde estão buscando conhecer melhor o que é a espiritualidade e a sua influência na saúde do paciente uma vez que vem constatando a melhora na saúde do doente. Portanto, conhecer e respeitar a espiritualidade de cada enfermo é o ponto de partida para um trabalho de pastoral.

PS – Há quanto tempo a senhora atua na Pastoral da Saúde?

 

LR – Iniciei em 1997 acompanhando o grupo que realizava visitas ao Hospital da Restauração sob a orientação do Padre João Novais, na matriz das Graças. De agosto a dezembro de 1998 participei do curso sob Pastoral da Saúde, no Hospital Infantil Maria Lucinda.

PS – Existe alguma visita que lhe marcou mais?

LR – Várias. Vou contar uma delas. Um jovem evangélico e revoltado com toda a sua problemática, que sempre nas visitas me perguntava: ‘qual o Evangelho do dia?’. Nesse dia o tema era: A Missão. Ele falou não saber qual a dele, que me retirasse e só voltasse noutro dia. Ao voltar ele havia analisado o seu comportamento, a sua maneira de tratar os profissionais de saúde, a sua falta de exemplo cristão. Ouvi todas as reflexões e sua necessidade de adotar uma nova postura diante de todo seu problema. A partir daí, ele mudou de postura e chamou atenção de toda a equipe de saúde. Dias depois ele me perguntou se entendia e me disse: “Estou pior, mas estou melhor”… Havia piorado muito a saúde, mas ele continuou e continua dando o bom exemplo de cristão no hospital como também em casa.

 

PS – Como é feita a preparação antes das visitas? 

 

LR – Ao chegar ao Hospital faço uma visita ao Santíssimo Sacramento na capela.

PS – Além do Hospital Infantil Maria Lucinda, a senhora já visitou outros hospitais?

LR – Sim. Os Hospitais da Restauração, Hemope e todos na Paróquia das Graças.

 

PS – O que lhe deixa feliz em atuar nas visitas aos doentes?

 

LR – Cumprir a missão do cristão: “Ide, pois ensinai a todos os povos” Mt 28,19. O Papa Paulo VI na Encíclica Ecclesiam Suam – Os Caminhos da Igreja, ensina, através do diálogo como realizar essa missão e quais as características que devem haver. São elas: “clareza, mansidão, confiança e prudência” §47 Pág. 59.

PS – Que mensagem a Sra. deixaria para os agentes do Nordeste 2 da CNBB, que tenham interesse em atuar em hospitais?

LR – Não percam tempo se esse for o seu carisma. E preparem-se, pois, esta é uma “evangelização sui generis”. Exige formação específica bíblica- teológica doutrinal e saber como abordar os doentes e ir sempre dois a dois. Nas visitas pastorais devemos ter em mente que estamos a serviço da Igreja e em sintonia com o padre da Igreja local e, sempre respeitando as normas e orientações dadas pelo hospital.

Texto: Élida Maria

Assessoria de Comunicação da Pastoral da Saúde NE2 (AL,PB,PE,RN)

31/08/2012

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