Entrevista com Dra Mecciene Mendes:

Visto ainda com certo melindre por parte da sociedade, a doença hanseníase existe desde antiguidade, quando denominava-se “lepra”. Ao longo dos anos o preconceito vem sendo diminuído, mas ainda existem muitas dúvidas sobre a doença e cura. Para explicar melhor o assunto, os sintomas e os devidos tratamentos, a PHD em Medicina Tropical e professora de Dermatologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Mecciene Mendes Rodrigues foi entrevistada pela equipe de comunicação da Pastoral da Saúde e detalhou informações sobre o assunto. Confiram a entrevista na íntegra:

Pastoral da Saúde (P.S): O que é a hanseníase?

Mecciene Mendes (MM): É uma doença infecciosa causada por germe que atinge a pele provocando manchas e alguns nervos localizados no rosto, nos braços e pernas, provocando inflamação e dor.

(P.S): Quais os principais sintomas da doença?

(MM): A hanseníase se manifesta por manchas na pele que podem ser mais claras do que a cor de pele ou vermelhas. No início as manchas podem apresentar-se dolorosas, mas depois elas evoluem com dormência.

Pode se manifestar também somente por inflamação e dor em nervos do rosto, dos braços ou das pernas e nesses casos a pessoa pode apresentar diminuição da força nos braços, pernas ou mãos.

Pode haver diminuição ou perda da sensibilidade nas mãos e, nesses casos, a pessoa pode se queimar ao cozinhar, ou facilmente deixar cair copos e outros objetos.

(P.S): Qualquer pessoa é vulnerável a ter a doença?

(MM): A hanseníase ocorre mais em homens ou mulheres adultos porque os adultos saem mais de casa e têm mais oportunidade de contato com pessoas que têm a doença e não se tratam devidamente e, porque, a hanseníase evolui muito lentamente e a pessoa leva tempo para apresentar os sintomas e sinais. É rara na infância e quando crianças apresentam a hanseníase significa que há muitas pessoas sem tratamento com a doença na região e pessoas sem tratamento que estão transmitindo. Nesses casos essas pessoas precisam iniciar o seu tratamento para que haja o controle da doença.

(P.S): Existe tratamento para a hanseníase? Qual? 

(MM): Existe tratamento e cura para a hanseníase. Quanto mais cedo à pessoa é diagnosticada e inicia o tratamento mais rápido vem à cura sem deixar nenhuma sequela. Os postos de saúde próximos às residências, nas Unidades de Saúde da Família e comunidade, devem disponibilizar o tratamento e acompanhamento e, quando necessário, encaminhar para centros de saúde onde há especialistas.

(P.S): É considerada uma doença contagiosa?

(MM): A hanseníase é contagiosa porque é uma doença infecciosa, mas a maioria das pessoas apresentam resistência e não manifestam a doença apesar de ter contato com doentes. O fato de não adoecer depende de condições de vida, como ser bem nutrido e ter uma boa moradia.

(P.S): Uma pessoa que já teve hanseníase e foi curada pode ter novamente?

(MM): Sim. A pessoa que teve hanseníase pode ter novamente se voltar a ter contato com pessoas que têm a doença e que não se tratam, porque após a cura, não se tem resistência/imunidade para o resto da vida.

O caminho para não ter a doença novamente é o controle e erradicação da doença em nosso meio e isso depende do compromisso das autoridades competentes na área da saúde e em outras áreas, como na educação, e depende também de todos nós, profissionais e cidadãos brasileiros de nos comprometermos em esclarecer a nossa população. É preciso que as pessoas tenham conhecimento sobre a doença, a quem procurar e a garantia de acesso ao tratamento. É muito importante que saibam que a doença tem a cura porque muitos não sabem disso.

Texto: Élida Maria

Assessora de Imprensa da Pastoral da Saúde NE2

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